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  • 4 de set de 2008

    O PRETENDENTE IMPERFEITO

    * Texto enviado ao Jorge Hessen, referente ao artigo: "EDUCAR OS FILHOS, EIS O DESAFIO PARA UM MUNDO SEM VIOLÊNCIAS". Disponível no site: www.jorgehessen.net (Ano 2008, número 40)

    "Eu prefiro jogar bola do que ir à escola. Na escola sempre estou escrevendo e isso cansa as mãos".
    Esta foi á resposta de uma criança de 8 anos quando foi realizado um censo escolar promovido pela Secretaria de Educação Municipal.
    A desaprovação daquele menino de cabelos bem curtos e olhar inquieto deitou por terra qualquer sábia teoria das ciências da educação.
    Pois é, mais fácil o menino ser jogador de futebol do que ser médico, advogado, professor ou outras profissões liberais. O menino vê o seu ídolo ganhando fortunas, principalmente lá fora, no exterior e a mídia mostra à vida muito boa desses famosos; carros de luxo, belíssima casa e o assédio do público. Isto mexe com a cabeça das crianças em sonhos e comparações reais. Na escolha, pesa mais a arte do futebol.
    O futebol, já faz parte da cultura brasileira, é um esporte nacional de massa popular. Cresceu muito à exportação dos nossos craques para vários países da Europa, Japão e Oriente médio. Criou-se uma indústria e a matéria prima é o homem com o seu jeito brasileiro na arte
    futebolística. Os grandes clubes de futebol têm "escolinha" que ensinam aos meninos a jogarem o futebol, preparação do caminho curto para alcançar à fama. Enquanto que o estudioso cientista para conseguir uma nova descoberta levaria no mínimo vários anos em pesquisa ou morre sem vê seus ideais concretizados. È claro que não podemos comparar o esporte com a ciência. O primeiro leva o jogador a ter uma vida útil e talento em pouca idade e geralmente encerra a
    "carreira" ainda novo com mais ou menos 38 anos, é classificado como jogador de futebol profissional aqui no Brasil, com direitos de benefícios até mais do que outras classes trabalhadora. Já no exterior o valor do jogador é avaliado em euros e dólares, com contrato variável entre 2 a 5 anos. O segundo leva 20 a 22 anos em estudos acadêmicos e a vida inteira para ser reconhecido como um bom profissional ou um brilhante pesquisador que vai precisar de mais entre 5 a 10 anos de estudos em pesquisas em boas instituições científicas. Geralmente morre pobre e não esquecido pela comunidade científica. Mas, é com essas declarações acima que põe em cheque a
    educação brasileira até o nível fundamental quando são exigidos os parâmetros curriculares nacionais; ler, escrever, ouvir e falar. Não sendo suficiente quando pode exigir mais do aluno.
    O caminho da educação de um povo depende do aprendizado do conhecimento básico que venha a servir no futuro de uma profissão.
    Calar o jovem com balas de esporte e não exigir deles os estudos é alimentar o sonho e acordar no pesadelo. Sabemos nós que o esporte e a educação trabalham juntos é um poderoso aliados no crescimento de uma nação. Mas o que está em jogo é a evolução do esporte e a decadência
    das nossas instituições de ensino. Como também à qualificação do professor e a baixa remuneração, nos leva a ver navios sem porto.
    Para os olhos de uma criança tudo é verdade, tudo é possível, melhor é fazer.
    " Eu prefiro jogar bola do que ir à escola."

    Álvaro B. Marques
    Salvador - Bahia