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  • 18 de mar de 2011

    PRECONCEITOS CONTRA O HOMOAFETIVIDADE



    Caro Jorge,

    Gostaria de parabenizá-lo pelos seus dois textos sobre homossexualismo sob a visão espírita. Descobri esses texto por acidente no site
    espiritismo.net quando fui ler um outro texto seu, citado no Twiter.
    Quando me tornei espírita, ainda na adolescência, encontrei respostas a tantas indagações que, como nessa idade costuma acontecer, procurei explicações da Doutrina a respeito das questões sexuais, em suas mais variadas formas.
    Na época, li "Vida e Sexo" e conclui que o homossexualismo não só era explicado pelo Espiritismo, como era inaceitável sua discriminação por quem partilhasse de seus princípios.
    As atribuições e atribulações da minha profissão me fizeram estudar menos a Doutrina do que seria desejável e somente recentemente voltei a ler de forma intensa para tentar recuperar o tempo perdido.
    No período que passei sem estudar e frequentando esporadicamente centros, mantive meu conceito inicial, inclusive acreditando numa frase que eu achava ser de Emmanuel, mas que não pude confirmar atualmente, que o que duas pessoas faziam entre 4 paredes, em termos de sexo, só a elas interessava. Com isso, nunca critiquei qualquer prática que se encaixasse nessa frase.
    Quando algum amigo homossexual lamentava não sentir o apoio das religiões, sempre afirmava que isso não era o caso do Espiritismo e insistia para que a pessoa conhecesse a Doutrina.
    Porém, recentemente, com essa minha leitura compulsiva, me deparei com alguns autores espíritas defendendo opiniões que me surpreenderam e me fizeram até achar que o meu conceito inicial estivesse completamente errado.
    Li um livro de J. Herculano Pires, um autor respeitável, chamado "Pesquisa sobre o Amor" onde ele, logo no início, chama o homossexualismo de depravação e ainda critica o movimento crescente, na época em que escreveu o livro, para se retirar o homossexualismo do Código Internacional de Doenças. Esse movimento acabou vitorioso e hoje o que existe como doença é quando o homossexual tem problemas psicológicos por isso.
    Achei essa posição muito estranha, pois me pareceu um contra-senso um espírita, sabendo o mecanismo pelo qual uma pessoa se sinta atraída pelo mesmo sexo, insistir que isso seria uma doença a ser combatida. Ainda mais ao ver que Herculano estava presente no famoso programa Pinga Fogo onde Chico defendeu a tolerância aos homossexuais.
    Mais adiante, li um livro de Ary Lex sobre as bases neurológicas da mediunidade e, ele também, deixou bem claro considerar a prática homossexual como depravada.
    Na internet encontrei várias pessoas que afirmavam que o Espiritismo explicava a atração homossexual, mas que as pessoas deveriam lutar contra essa tendência que seria um desvio de conduta. Uma revista leiga semanal também publicou essa idéia como sendo a posição oficial do Espiritismo: o homossexual vem para pagar uma pena e deve manter o celibato.
    Isso quando conheço casais gays juntos há 8 anos, tempo superior a muito casamento heterossexual...
    Com esses dados, não pude deixar de me sentir provando do meu próprio veneno, pois critiquei duramente os Testemunhas de Jeová, quando soube de um conhecido que, sendo homossexual, foi convencido por um psicólogo TJ de que, participando das reuniões dos TJ, ele iria se curar. Quando o rapaz já estava totalmente convertido, ele foi informado de que ele era realmente homossexual, que nada poderia ser feito sobre isso, mas que Jesus queria que ele não cedesse aos seus impulsos e se mantivesse casto...
    Os conceitos da minha adolescência, de que o homossexual, desde que evitasse a promiscuidade, a prostituição e práticas que contrariassem a frase das duas pessoas entre quatro paredes, não estariam contrariando nenhuma lei de Deus pareciam estar errados.
    Porém, nisso encontro seu texto e vejo que existem espíritas que entendem os textos da Codificação, Emmanuel e André Luiz da mesma forma que eu.
    Já fico mais tranquilo sabendo que não passei anos dizendo aos meus amigos homossexuais conceitos errados, mas lamento que preconceitos trazidos de fora da Doutrina estejam contaminando o movimento espírita e criando fariseus dentro do Espiritismo.
    Abraços fraternos