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  • 27 de abr de 2011

    MORRER ANTES DA HORA? NÃO É POSSÍVEL?


    Prezado Jorge Hessen,
        Estou lendo seus textos e estou gostando bastante. Não sou espírita, mas me identifico muito com o espiritismo e procuro ler obras a respeito.
        Pesquisando artigos na internet encontrei um que fala sobre a "hora da morte" (título: Ninguém morre antes da hora??) e achei o pensamento do autor muito radical sobre não termos uma hora determinada para morrermos.
        O meu pensamento sempre foi de que tínhamos uma "hora de morrer", mas dependento das nossas ações ou das ações de terceiros essa "hora" poderia ser antecipada.
        Gostaria de saber a sua opinião sobre os artigos em questão. São 3 artigos do mesmo autor (...........), sendo um continuidade do outro. Estão em anexo, não sei se irão abrir, caso não abram e vc tenha interesse, o site é................ na aba "Artigos espíritas", títulos: Ninguém morre antes da hora? - tem as partes I, II e III.
        Estou interessada nesse assunto (hora da morte) porque perdi meu esposo há quase cinco meses e não consigo aceitar. Foi um acidente, ele era motorista carreteiro e um ônibus perdeu o controle e o atingiu.
        Obrigada



    Prezada irmã
    Sua dúvida está atrelada à crença de que ninguém morre antes da "hora".  Para o espírita , realmente a hora da morte é fatal, mas que hora da morte é essa?  pois quando é chegado o momento de retorno para o Plano Espiritual, nada nos livrará da desencarnação. Frequentemente  sabemos o gênero de morte por que partiremos da terra, pois isso nos é revelado revelado quando realizamos a escolha desta ou daquela existência física. Todavia , ainda graças à Lei de Ação e Reação e ao Livre-Arbítrio, podemos evitar a antecipação da desencarnação, podemos evitar acontecimentos que deveriam realizar-se, como também permitir outros que não estavam previstos.
    A fatalidade só existe como algo temporário, frente à nossa condição de imortais, com a finalidade de "retomada de rumo".
    Fatalidade e destino inflexível não se afinizam com os preceitos kardecianos. Quem crê ser "vítima da fatalidade", culpa somente o mundo exterior pelos seus fracassos e se recusa a admitir a conexão que existe entre eles.
     O desenvolvimento das potencialidades, a subida evolutiva, requer trabalho, esforço, superar desafios. Neste caso é a provação, e não, a expiação, ou seja, são as tarefas a que nos submetemos, a nosso próprio pedido, com vistas ao nosso progresso, à conquista de um futuro melhor.
    Toda ação que praticamos, boa ou má, recebemos de volta. Nosso passado determina nosso presente não existindo, pois, favoritismos, predestinações ou arbítrios divinos. A doutrina espírita não prega o fatalismo e nem o conformismo cego diante dos revezes  da vida, mesmo das chamadas tragédias pessoais ou coletivas. O que o Espiritismo ensina é que a lei é uma só: para cada ação que praticamos, colheremos a reação.
    A função da dor é ampliar horizontes, para realmente vislumbrarmos os concretos caminhos amorosos do equilíbrio. Por isto, diante dos compromissos cármicos, em expiações, lembremo-nos sempre de que a finalidade da Lei de Deus é a perfeição do Espírito, e que estamos, a cada dia, caminhando nesta destinação, onde o nosso esforço pessoal e a busca da paz estarão agindo a nosso favor, minimizando ao máximo o peso dos débitos do ontem.

     
    Em síntese, podemos desencarnar muito antes da hora prevista pelos mentores do além, em razão  de um compromisso firmado com a espiritualidade antes de reencarnarmos. Exemplos podemos dar: Quem mantém qualquer vício destrói o corpo físico e antecipa a hora da morte, quem é perverso, desonesto, infiel, revoltado, glutônico,   maledicente (fofoqueiro), pessimista, preguiçoso,  vingativo, egoísta etc, etc, etc  está antecipando a chamada hora prevista para a desencarnação que advirá FATALMENTE.
    Quando a desencarnação de seu esposo recorremos aos conceitos espíritas, cujas mensagens são profundamente consoladora por excelência.
    Diz que seu esposo  desencarnou há alguns meses, logo  é perfeitamente compreensível  o seu sofrimento pela sensação de ausência que carrega, contudo, a vida na terra continua estuante e linda, cheia de oportunidades de crescimento espiritual.

     
    Um dia quem sabe conhecerás um centro espírita  sério , se buscares , com certeza encontrarás um lenitivo talvez nunca imaginado por você, porquanto ao conhecermos os legítimos conceitos  espíritas nossa vida dá um salto de qualidade espiritual muito intenso, pois aprenderemos que a morte é fenômeno muito natural, até porque todos vamos um dia fazer essa viagem. Mas como vivemos muito para a matéria e não encaramos a morte como esse fenômeno natural.
    Os espíritos ensinam que nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o caixão transporta para o grande silêncio. Todos nós na Terra somos chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a morte faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás, desde já, para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos queridos ao coração...
    Quanto ao seu esposo  de quem sofre impreenchíveis vazios no sentimento, entrega-o para  Deus, confiando-o e entregando-se ao Pai, na certeza de que, se souber abrir a alma à esperança e à fé, conseguirá senti-lo, ouvi-lo, dele haurindo a confortadora energia com que se fortalecerá até ao instante da união sem dor, sem sombra, sem separação pelos caminhos do tempo sem fim, no amanhã ditoso.
    Exercite o amor pela oração a favor dele.

     
    O Espirito Emmanuel   consola-nos ensinando que: “Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima. Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.
    Explica ainda o Espírito Emmanuel , que todavia, quando semelhante provação nos bata à porta, reprimemos o desespero e diluamos a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de nosso pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel. Portanto ante os que partiram, precedendo-nos na Grande Mudança, não permitamos que as energias negativas nos ensombre o coração. Eles não morreram. Estão vivos. As nossas preces de amor representam acordes de esperança e devotamento, despertando-os para visões mais altas na vida. Quando pudermos, realizemos por eles as tarefas em que estimariam prosseguir e tê-los-emos conosco por infatigáveis zeladores de nossos dias. Se muitos deles são nosso refúgio e inspiração nas atividades a que nos prendemos no mundo, para muitos outros deles somos o apoio e o incentivo para a elevação que se lhes faz necessária. Quando nos dispomos a buscar os entes queridos domiciliados no Mais Além, não nos detenhamos na terra que lhes resguarda as últimas relíquias da experiência no plano material...Contemplemos os céus em que mundos inumeráveis nos falam da união sem adeus e ouviremos a voz deles no próprio coração, a dizer-nos que não caminharam na direção da noite, mas sim ao encontro de Novo Despertar. E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos Cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.
    Abraços
    Jorge Hessen