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  • 30 de mai de 2014

    SONHOS, PROFECIAS, DETERMINISMOS

    Beatriz: Estudei um pouquinho de muitas religiões.  Tenho formação Católica, mas muitos amigos evangélicos e espíritas. Desde que comecei a estudar o espiritismo me debati com questões que iam de encontro a algumas coisas que eu acreditava, ao mesmo tempo que ratificaram outras de minhas crenças. Gosto de discutir sobre o assunto. Especialmente por um detalhe: sempre acreditei que dei um cheque em branco pra Deus. Entreguei a Ele minha vida, pois não tem ninguém melhor do que Ele para cuidar disso.
    Desta forma, é comum se contestar a palavra "destino" nos textos espíritas, mas como explicar as provas como nada além de um destino?

    Jorge Hessen:  Há vários dispositivos inscritos nas Leis divinas que ainda são insondáveis ao conhecimento humano. Destino diz respeito à ordem natural instituída pelo Criador. Ordinalmente é concebido como um ciclo inevitável de episódios gerados ou ignorados. Frequentemente é usado para ilustrar a “contradição” dos eventos existenciais (na acepção, “contradição” deve ser inferido como algo não-explicável no âmbito do conhecimento racional utilizando-se do método academicista),assim também, como a responsabilidade dada às “divindades” para tais acontecimentos. Somos livres na pauta de nossa educação e de nossos méritos, na lei das provas, cumpre-nos reconhecer que à medida que nos tornamos responsáveis, organizamos o determinismo da nossa existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-nos definitivamente aos planos superiores do Universo.

    Beatriz: Ainda tem mais outras coisas, pois tenho certas dúvidas quanto à revelação do futuro através de sonhos. Se o futuro pode ser visto em sonhos então ele está determinado? 

    Jorge Hessen:  Se desejamos ter ciência  do nosso futuro ou o futuro da humanidade, examinemos o comportamento geral e escrevamos com ações coevas as determinantes que constituirão  as paisagens que iremos defrontar mais tarde. Se almejamos conhecer o nosso futuro, por exemplo,  examinemos o que fazemos agora, programando os nossos desejos, pensamentos, palavras e atos que formarão o obrigatoriamente o tecido do que está por vir.
    E mais, durante o sono  (repouso físico)  o sonho constitui atividade reflexa dos  nossos  estados psicológicos oriundos das lutas diárias. Em definidas ocasiões, contudo, como nos fenômenos premonitórios, o sonho representa maior liberdade, quando, então, poderemos processar as visões "proféticas", acontecimentos esses invariavelmente  organizados pelos Espíritos Superiores , obedecendo a finalidades nobres e úteis, portanto, quando em temporária liberdade onírica podemos receber a  instrução e a influência diretas de nossos amigos e orientadores desencarnados.
    Cremos, todavia,  que não é qualquer espírito que  pode  devassar o futuro, considerando essa atividade uma característica dos atributos do Criador Supremo. Temos de considerar, todavia, que as existências humanas estão subordinadas a um mapa de provas gerais, onde a personalidade deve movimentar-se com o seu esforço para a iluminação do porvir, e, dentro desse roteiro, os mentores espirituais mais elevados podem organizar os fatos premonitórios, quando convenham as demonstrações de que o homem não se resume a um conglomerado de elementos químicos, de conformidade com a definição do materialismo dissolvente, segundo ensina Emmnauel.

    Beatriz: Outra coisa, ver o futuro não significaria que o tempo seria algo maleável? E mais não seria possível que o tempo, tal como concebemos, fosse algo inexistente?

    Jorge Hessen: Sobre a suposta  maleabilidade temporal há os que afirmam que a vida é o eterno presente. Considerando nossa eternidade não precisamos  demarcar  rigidamente o tempo, balizando, em bases inseguras, a “duração” da realidade. Cremos que  o tempo necessariamente  existe numa expressão , digamos, atemporal.

    Beatriz: E dentro da questão do determinismo, uma das minhas dúvidas é: a encarnação de uma pessoa é determinada?

    Jorge Hessen: A questão 166 do Livro dos Espíritos pacifica essa questão. Allan Kardec  indagou aos espíritos “como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se? Os Mentores responderam “Sofrendo a prova de uma nova existência.” Como se vê, o “determinismo divino” inflige a pluralidade das existência para nossa depuração. E assim tem que ser.
    Sobre o “determinismo divino” ele  se constitui de uma só lei, que é a do amor para a comunidade universal. Todavia, confiando em si mesmo, mais do que em Deus, transformamos a nossa  fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei, efetuando, desse modo, uma intervenção indébita na harmonia divina. Eis o mal. Urge recompor os elos sagrados dessa harmonia sublime. Eis o resgate. O ser e o existir se constituem nisso mesmo...

    Beatriz: E mais: seus pais são determinados? 

    Jorge Hessen: Cremos que os agentes geradores de corpos para reencarnação (pais) podem ser determinados ou escolhidos consoante a condição moral e o mapa de experiência individual do reencarnante. Isso não equivale afirmar que esses progenitores sejam para sempre  pais dos que estiveram nas condições de seus  filhos, muitas vezes as posições se invertem. A fórmula mais elevada e mais bela do nosso crescimento em qualquer situação é  do esforço próprio, dentro da humildade e do amor, ante as lições reencarnatórias da Terra, onde Jesus houve por bem instalar a nossa oficina de perfectibilidade para a futura elevação dos nossos destinos de espíritos imortais.

    Beatriz: E, finalmente, suicídio inconsciente. Vi isso inicialmente no Livro Nosso Lar do André Luiz. Fiquei encafifada com o seguinte: suicídio inconsciente é, grosso modo, um atentado contra a integridade corpórea. É comum ler que a reiteração da conduta danosa pode se configurar como suicídio inconsciente, mas também já li casos de uma ação que desencadeou a morte - neste caso a ação foi decorrente de um reiterado comportamento de impaciência. Mas pergunto sempre há conduta reiterada, ou uma ação, uma escolha um remédio tomado errado pode desencadear isso? 

    Jorge Hessen: Sobre o suicídio inconsciente ou deliberado , sabemos que de todos os desvios da vida humana, o suicido é, talvez o maior deles pela sua característica de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia. É oportuno enfatizar  que a obra de Deus é a do amor e do bem, de todos os planos da vida, e devemos reconhecer que, se muitos Espíritos reencarnam com a prova das tentações ao suicídio e ao crime, é porque esses devem agir como alunos que, havendo perdido uma prova em seu curso, voltam ao estudo da mesma no ano seguinte, até obterem conhecimento e superioridade na matéria. Muitas almas efetuam a repetição de um mesmo esforço e, por vezes, sucumbem na luta, sem perceberem a necessidade de vigilância, sem que possamos, de modo algum, imputar a Deus o fracasso de suas esperanças, porque a Providência Divina concede a todos os seres as mesmas oportunidades de trabalho e de habilitação, consoante explica Emmanuel.

    Beatriz: Desculpe a peculiaridade das perguntas, mas é porque gosto de ler e tenho algumas dúvidas sempre que leio o livro dos espíritos e algumas outras obras como os textos de obras póstumas.
    Bem, desde já agradeço.
    São questões que me estão torturando a mente e me deixando indecisa em algumas coisas.