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  • 11 de jul de 2009



    Caro Jorge,
    (Prezado irmão Ricardo Artur,)
    Li hoje no CB as palavras da procuradora responsável pelo caso de criminalização ou não de aborto de anencéfalos.
    (Que responsabilidade!)
    Disse ela, segundo o jornal: "Até o que fazer tem que competir à gestante, que deve julgar de acordo com seus valores e sua consciência, e não ao Estado".
    (Essa postura é típica de quem desconhece os mecanismos e os objetivos da reencarnação, infelizmente.)
    Entendi bastante coerente a frase.
    (O que eu lamento profundamente.)
    Como já falei a você uma vez, permitir o aborto não é questão de o Estado decidir se pode ou não. É questão de consciência, educação, moral, etc.
    (Que consciência? Que educação? Que moral? Trata-se, fundamentalmente, de que "matar alguém" é crime, tanto nas leis dos homens, quanto nas Leis de Deus. A inobservância da Lei de Ação e Reação, meu irmão, e que o homem aparenta desconhecer, quando, na verdade, não ignora de todo, pois, não somente a Doutrina Espírita explica, mas todas as religiões advertem, dá a conhecer a origem dos terríveis tormentos por que passam as criaturas. O ser humano comete os mais perversos crimes contra ele mesmo, inclusive, pois, quem dispõe da liberdade para matar alguém não deve ignorar que esse mesmo crime poderá, igualmente, exterminar-lhe o corpo, prematuramente. Seu espírito, "quando dilacerado e desditoso, grita a própria aflição, ao longo dos largos continentes do Espaço Cósmico, reunindo-se a outros culpados do mesmo jaez", (André Luiz, em Evolução em Dois Mundos). "Se há corpo animal, há corpo espiritual". (Apóstolo Paulo, versículo 44 do capítulo 15, de sua primeira epístola aos coríntios." Qual é o ser humano que, em sã consciência, concordará em dar, à mulher, o direito sobre o seu próprio corpo nesse caso? O corpo é dela, mas o ser que se forma dentro dela não pertence a ela, mas ao espírito que está ligado a um corpo em formação.)
    Para que haja um feto, são necessárias, pelo menos, duas pessoas. Isso, sem contar pais, ambiente em que vivem os dois, grau de consciência etc., muitos fatores e não a carolice de quem não vive ou viveu drama semelhante.
    (Para que haja um feto, é preciso que ambos – o homem e a mulher – antecipadamente, queiram um filho, seja ele como for, pois que esse filho é muito mais que uma simples reprodução de um corpo físico. Não é preciso viver ou já ter vivido esse drama para entender que praticar o aborto é atentar contra as Leis de Deus. Logo, estabelecer leis humanas contra o aborto é, no mínimo, conter os impulsos malsãos de irmãos nossos "inconscientes", "menos educados" e "moralmente imaturos" ainda, e sobretudo, estar consoante e em consonância com as Leis de Deus, e não estar em contraste com ela.
    Entendo que, aos que se opõem, cabe orientar as pessoas quanto a pensar muito seriamente sobre as implicações quanto ao ato que pretendem praticar e não proibi-las simplesmente ou lançar o anátema.
    (É o que eu tenho feito através dos meus humildes artigos, graças aos sublimes ensinamentos que adquiri da Doutrina Espírita e, antes disso, dos saudáveis valores morais que recebi em família, que se resumem em "Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo" e "Não fazer aos outros aquilo que não queremos que os outros nos façam").
    Exemplo mais ou menos claro recebemos quanto à atuação de nossos anjos de guarda, mentores, guias ou que nome deem:
    Segundo a Doutrina Espírita, o Espírito protetor, anjo guardião ou bom gênio, é aquele que tem por missão seguir o homem na vida e ajudá-lo a progredir, mas no limite de seu poder
    "Quando não queremos, eles se afastam e aguardam a oportunidade para quando viermos a procurá-los".
    (Ainda, segundo a Doutrina Espírita, em O Livro dos Espíritos, "não há arrastamento irresistível: o homem pode sempre fechar o ouvido à voz oculta que o solicita ao mal em seu foro íntimo, como pode fechá-lo à voz material de quem lhe fala. As faltas que cometemos têm, pois, sua fonte primeira nas imperfeições de nosso próprio Espírito, que não atingiu ainda a superioridade moral que terá um dia, mas que nem por isso tem diminuído o seu livre arbítrio." Porém, se o homem não conhece entraves, porque se diz livre para pensar e agir, podemos, sim, dificultar-lhe o vôo, evitando que se aniquile, conforme fazem os guias espirituais.
    Deixam que usemos de nosso livre arbítrio, mas que arquemos com as consequências.
    (Isso é óbvio, meu irmão, mas creia, só depois de esgotarem todas as possibilidades para que o "arrependimento" não nos chegue tardiamente, agravando e prolongando, ainda mais, o nosso estado de inferioridade.
    Estarão prontos a ajudar-nos, de acordo com o merecimento.
    (Sempre é hora de se fazer o bem, mas julgar sobre se merecemos ou não, só o PAI que está nos céus.)
    Será que estou certo?
    (Teoricamente, sim, mas, com essa passividade, não.)
    É como padre falar em preservação da castidade para leigos. Eles sabem do que se trata? Ou, pelo que se propõem, só deveriam sabê-lo teoricamente.
    (Essa comparação não se ajusta ao caso.)
    Em suma, não sou perfeito, anjo, beato ou santo, mas acho que a procuradora tem um fundo de razão: Livre arbítrio.
    (Nenhum de nós é perfeito, meu irmão, mas poderemos ser um dia, se abdicarmos de nossas paixões inferiores, do nosso egoísmo. Sou da opinião que a procuradora não tem razão alguma, por infringir um dos Dez Mandamentos da Lei de Deus: Não matarás!)
    Abraço e obrigado pela paciência da leitura.
    (Eu é que agradeço pelo diálogo franco.) Jorge Hessen