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  • 20 de jul de 2009

    Há muito tempo fico intrigada com o celibato

    Maria Cecilia

    Maria Cecília: Caro Amigo e Mestre,

    Jorge Hessen: Prezada irmã, Jesus é o Mestre.

    Maria Cecília: Há muito tempo fico intrigada com o celibato exigido ao clero na Igreja Católica.

    Jorge Hessen: Em Mateus, Capítulo 19, Versículo 12, temos: “Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” A Igreja Católica viu, nessas palavras do Cristo, o modelo do verdadeiro Sacerdote. Portanto, é um ato de fé a exemplo da vida de Jesus.

    Maria Cecília: Toda vez que noticiam casos de pedofilia envolvendo padres, fico sem saber se eles são os verdadeiros responsáveis pelo ato criminal em questão.

    Jorge Hessen: A pedofilia, concebida como prática criminosa, sem atenuantes para o autor, é, antes de tudo, uma desordem mental e da personalidade, cujas causas estão alojadas no perispírito em desalinho. Portanto, tanto o autor, quanto a vítima, ambos expiam faltas do passado, mediante justiça distributiva rigorosa, que o homem tem que suportar o que fez os outros suportarem. No entanto, minha irmã, Jesus quando disse “Das ovelhas que o Pai me confiou, nenhuma se perderá” quis enfatizar que não condena o criminoso, imputando-lhe pena eterna, mas o crime em si, pois todo ser humano haverá de ser salvo. Se houve um crime, houve um autor ou autores desse crime. Logo, são os verdadeiros responsáveis, e não há como fugir às leis dos homens e às Leis de Deus.

    Maria Cecília: Penso que os "criminosos celibatários" escolhem suas vítimas em crianças e adolescentes, pensando que, agindo assim, será mais difícil de serem descobertos.

    Jorge Hessen: Não posso, de forma alguma, julgar esses atos. Minha consciência espírita, graças aos enunciados de Kardec, diz que são irmãos nossos extremamente necessitados de compaixão, tanto quanto as vítimas. Devemos a eles o socorro de nossas preces, que é a verdadeira caridade.

    Maria Cecília: Assistindo ao Programa Brasil Urgente, com o Datena, um dia destes, cheguei a ficar com pena do padre preso por assédio a uma menina. A carência afetiva do infeliz homem era impressionante!

    Jorge Hessen: A mídia sensacionalista divulga as matérias relacionadas ao crime de forma a gerar, nos corações humanos, ódio à figura do criminoso, enquanto Jesus ensina que “Deveis amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como a vós mesmos, pelas faltas que cometeis contra a Sua Lei.” (Em O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo XI). Quem nos garante se já não fomos piores, até? Se você se emociona com a dor de ambos, é sinal de que seu coração já despertou para o amor incondicional, conforme Jesus nos ensinou. Parabéns!

    Maria Cecília: Gostaria de saber sua opinião sobre esse delicado assunto, se puder me fazer esse favor.

    Jorge Hessen: Até mesmo os especialistas nessa área, ainda não encontraram as “causas” dessa anomalia, o que não é de se estranhar, pois as causas profundas estão no indivíduo mesmo, é a desarmonia entre o Espírito e a matéria. Portanto, minha irmã, só posso opinar nesse sentido, nada além disso.

    Maria Cecília: Já li seu artigo "Breves Reflexões sobre o Casamento, Celibato e Sexo".

    Jorge Hessen: Agradeço-lhe pelo tempo dispensado ao meu artigo. Isso muito me gratifica.

    Maria Cecília: Fico pensando que o sacerdote corre sério risco de não conseguir ser fiel ao seu voto de castidade, e que a Igreja é partícipe principal de um futuro desvio ou crime cometido dentro de seu ministério.

    Jorge Hessen: Temos que entender o seguinte: Aqueles que optam por esse caminho sabem, de antemão, que a Igreja Católica impõe o celibato. Logo, só deveriam se apresentar, para esse ministério sacerdotal, os que tivessem, realmente, vocação. O vocacionado se julga apto para reprimir a sexualidade. Portanto, é todo aquele que tem objetivos e ideais sublimes, como missão, em prol do Reino de Deus. Os seminaristas, antes da ordenação, deveriam ser muito bem avaliados, quanto à saúde física e mental, principalmente no que concerne a ser celibatário. No entanto, há aqueles que ingressam nesse ofício por razões, as mais diversas, e, não raro, para fugir ao enfrentamento dos seus conflitos íntimos. Ao projetar tais conflitos íntimos para o exterior, assistimos, com pesar, os que abusam da boa-fé das pessoas, cometendo crimes que denigrem a própria imagem e, no caso, a imagem da Igreja Católica. Ressalte-se, aqui, que a pedofilia não é exclusiva de uma ou de outra classe; ela está no cenário físico, entre aqueles que se desarticularam moralmente no passado e estagiam, no presente, para se autoidentificarem, se autopunirem e se autoenfrentarem. Porém, alguns, continuam levados à autodestruição, porque ainda lhes falta vontade para aceitar-se e vencer-se. Devemos ver o pedófilo e a vítima com olhos de um verdadeiro cristão, entendendo que a dor, antes de tudo, é o Pai Amoroso convocando o filho para a descoberta dos valores espirituais.

    Maria Cecília: O pagamento de indenizações feito pela Igreja a muitas vítimas vem demonstrando que celibato, mesmo para o bem, é muito difícil de acontecer. Exceções, é claro, podemos ver, principalmente, sabendo da vida de exemplos como a de nosso Chico Xavier!

    Jorge Hessen: Não somente a exemplo de Chico Xavier, mas a exemplo de todos aqueles que encontraram motivação para sublimar seus instintos, em prol de uma emancipação espiritual.

    Maria Cecília: Algo tem de ser feito para acabar com o celibato obrigatório nas Igrejas, é a minha pobre opinião.

    Jorge Hessen: Que cada um se ajuste às escolhas que faz. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.

    Maria Cecília: Um abraço.

    Cecília

    Jorge Hessen: Um abraço fraternal.

    Jorge Hessen