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  • 21 de set de 2009

    RELIGIÃO E ESCOLA


     
    Paulo Wedderhoff:

    Caro Jorge,
    Também acho que ensinar uma religião na escola pública é um abuso, mas gostaria de saber a sua opinião sobre o ensino multi religioso.
    Fico imaginando um currículo que inclua, ao par do ensino das várias ciências como a ciência do escrever, calcular, medir, da geografia, da física, da química e tantas outras, haja também a disciplina de história da filosofia, e história das religiões.
    Nesta ultima estariam representadas pelo menos 5 das grandes linhas de pensamento religioso, incluindo, naturalmente, o ensino espírita.
    Já nos libertamos do jugo dos pais que escolhiam as noivas e noivos para seus filhos, mas ainda não nos libertamos do costume de os pais determinarem a religião dos seus filhos.
    Se o pensamento religioso de várias correntes fosse apresentado nas escolas, é  possível que nossos jovens escolhessem o que mais apelasse ao seu conjunto de valores e princípios espirituais.
    Olhando para a grave crise moral que assola nosso planeta e nosso país, não seria providencial oferecer aos nossos jovens uma visão multi religiosa na esperança que adotem alguns destes princípios para sua vida e mudem o panorama ético que vemos hoje em dia?
    Eu não teria a menor preocupação em ver meus filhos assistindo aulas com um teólogo católico; um muçulmano; um judeu; um evangélico; um budista e um teólogo espírita.
    Atenciosamente,
    Paulo H. Wedderhoff

    Jorge Hessen: Prezado Paulo H. Wedderhoff
    Meu irmão, este é um assunto muito complexo, pois quando pensamos em algo “ideal”, nem sempre é possível na prática.
    História da Filosofia e História das Religiões, por exemplo, são disciplinas, a meu ver, para serem ministradas em cursos mais avançados, ou seja, a partir do Segundo Grau, quando os jovens teriam maior capacidade de entendimento e mais maturidade para optar, se fosse o caso, pois, nessa etapa do aprendizado, haveria espaço para exposição de idéias, de debates em sala de aula, etc. Seria interessante, realmente, pois essas disciplinas independem de professores dessa ou daquela religião. Não haveria risco de os jovens serem influenciados, fortemente, por uma única corrente religiosa, mas sim, deduziriam, por raciocínio próprio, qual delas seria a que mais se identificam.
    A religiosidade, no entanto, deve caminhar pari passu com o desenvolvimento das crianças, desde antes da idade escolar, e é desde então que os pais devem iniciar seus filhos à idéia de Deus. Como fazer isso? É obvio que dentro da linha de pensamento que eles julgam ser a mais correta, ou melhor, seguindo os fundamentos da religião na qual creem. Logo, ao iniciarem seus estudos, as crianças já partem com princípios religiosos ensinados em família.
    Tentar resolver a grave crise moral e mudar o panorama ético que vemos hoje em dia, apresentando pensamento religioso de várias correntes nas escolas, não resolveria o problema do planeta, pois as escolas religiosas particulares jamais iriam admitir, em seus estabelecimentos de ensino, disciplinas que pudessem desvirtuar seus alunos. Isso, porque os religiosos que comandam tais educandários “jamais vão conseguir ser imparciais” e os professores, que lá atuam, obrigam-se a não contrariar as regras que essas escolas impõem.
    Eu, como espírita que sou, sei perfeitamente que não devo “impor” o Espiritismo aos meus filhos, mas, confesso-lhe que eu os oriento nessa Religião desde que eram crianças. Sei, também, que numa família, nem todos estão no mesmo nível de evolução; uns mais adiantados e outros menos adiantados. Se esse fosse o meu quadro familiar, sou sincero em lhe dizer que eu preferiria que escolhessem a religião que mais lhes fosse conveniente – desde que não optassem por seitas que praticam o mal - a ficarem sem norte que os posicionasse e os orientasse na prática do bem.
    Portanto, meu irmão, volto ao meu artigo para lhe dizer que nele está o pensamento do Jorge Hessen, mas que vê, na História da Filosofia e na História das Religiões, uma grande riqueza cultural, fundamental, não só para os jovens, mas para nós outros.
    Muita Paz!
    Jorge Hessen