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  • 2 de dez de 2009

    MENTIRA


    Anika: A mentira retarda o desenvolvimento do espírito?


    -Mentira não é ato de guardar a verdade para o momento oportuno, porquanto essa atitude mental se justifica na própria lição do Senhor, que recomendava aos discípulos não atirarem a esmo a semente bendita dos seus ensinos de amor.

    A mentira é a ação capciosa que visa o proveito imediato de si mesmo, em detrimento dos interesses alheios em sua feição legítima e sagrada; e essa atitude mental da criatura é das que mais humilham a personalidade humana, retardando, por todos os modos, a evolução divina do Espírito.

    Caro amigo o que é a mentira diante de uma verdade devastadora? Conheço um caso de uma amiga querida que teve um filho de uma paixão passageira. Permaneceu no casamento, mas volta e meia encontra-se atormentada com o peso do que ocorreu há muitos anos atrás. Hoje sinceramente não acho que a verdade vá restaurar alguma coisa, ao contrário. Não sei como ficará isso, mas vivo controlando essa pessoa para que tudo não possa transformar-se em uma grande ferida que dificilmente cicatrizará. Penso que hoje ela não pode mais pensar em si, deveria ter feito isso antes. Foi fraca é verdade. O que adianta chorar o que não se pode mais modificar. Como disse Chico é melhor começar agora e fazer um novo fim. Concorda comigo? Abraços, Nika



    Jorge Hessen: A Questão 192, de “O Consolador”, que você transcreveu não deixa a menor dúvida sobre a mentira, muito embora Jesus se referia à nova mensagem que Ele trazia ao povo daquela época e alguns, ainda, não estavam preparados para a Verdade. Já, a Questão 193, do mesmo livro, diz o seguinte: “A verdade é a essência espiritual da vida. Cada homem ou cada grupo de criaturas possui o seu quinhão de verdades relativas, com o qual se alimentam as almas nos vários planos evolutivos.

    O coração, que retém uma parcela maior, está habilitado a alimentar seus irmãos a caminho de aquisições mais elevadas; todavia, é imprescindível o melhor critério amoroso na distribuição dos bens da verdade, porquanto esses bens devem ser fornecidos de acordo com a capacidade de compreensão do Espírito a que se destina o ensinamento, de maneira que o esforço não se faça acompanhar de resultados contraproducentes.”


    Como Espírita, não posso, de forma alguma, compactuar com a mentira, pois a verdade deve ser dita sempre, doa a quem doer. Além do mais, só a verdade nos torna livres. Eis, aí, o maior exemplo do que acabo de afirmar: Sua amiga querida é escrava da própria consciência atormentada pela ausência da verdade. Porém, posso, humanamente, analisar a situação sem, com isso, julgá-la, o que, também, não me cabe.

    Pelo que pude entender, a nossa irmã, simplesmente, omitiu a verdade, deixando o tempo correr, normalmente, por motivo de foro íntimo. O ensinamento da Questão 193, acima transcrito, para as imperfeições que cada um de nós traz no Espírito, a atitude a tomar deve ser muito bem analisada por ela, e somente por ela, pois a verdade deve ser fornecida de acordo com a capacidade de compreensão do Espírito a que se destina a confissão, de maneira que essa coragem não se faça acompanhar de resultados contraproducentes. (palavras minhas, adaptadas ao final do texto acima transcrito)

    Não podemos esquecer que “o amor cobre uma multidão de pecados” e só o fato de ela não ter abortado – o que muitas mulheres fariam nessa mesma situação, infelizmente – já é um ponto positivo.

    Espero que a nossa irmã, consiga encontrar a Paz de Espírito de que tanto necessita, pois “sabemos que é possível renovar o destino todos os dias” (Em “Evolução em Dois Mundos”), amando, incondicionalmente, e que os filhos, antes de serem nossos filhos, são filhos de Deus.

    Quem somos nós para condenar alguém?

    Fraternalmente,
    Jorge Hessen