BLOG E SITES

  • LEITORES
  • 10 de mar de 2010

    SOBRE O UMBRAL


    Jos......: Primeiramente, obrigado por ter respondido e outra coisa vejo na doutrina espírita e o que mais me encanta é a forma com que cada um trata o outro de uma forma fraternal, ou seja, tratam verdadeiramente como irmãos seguindo um dos principais mandamentos de Deus, amar ao próximo como a ti mesmo, a doutrina espírita não é uma religião hipócrita que explora a fé das pessoas não conheço nem um mega centro espírita ou catedrais espíritas todos os centros que eu conheço são lugares simples e humildes lugares que são como os que Jesus pregava.
    Mas gostaria de me aprofundar muito nesse assunto um deles que eu mais fico curioso é com relação ao umbral, o que é umbral já sei bem, mas quero saber quem vai pra o umbral? Todos que morrem antes têm que passar por lá? A gente quando morre obrigatoriamente temos que passar por lá pra pagar alguma coisa? Por favor, o que o senhor puder me esclarecer quanto a isso ficarei extremamente grato.
    Abraço fraternal
    Jos.....


    Jorge Hessen: Prezado irmão

    As regiões umbralinas existem, tanto no mundo físico como na esfera espiritual, e os Espíritos de toda espécie, encarnados ou desencarnados, estão por toda parte, no espaço e ao nosso lado. Há, porém, que entender os diversos níveis de comprometimento sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Diante dos nossos olhos, encontramos inúmeros antros de perdição e de sofrimento, não é verdade (?). Não há um lugar circunscrito para ocuparem; ora se agrupam aqui, ora se reúnem ali; é toda uma população que se agita em torno de nós. Fixemos nossa atenção, por instantes, nas Casas de Detenção. Em que consistem? O próprio nome já diz: “deter” a ação de Espíritos rebeldes e/ou que, inevitavelmente, constituem um grande risco à sociedade não agressiva.  Um exemplo bastante elementar, eu diria, mas que nos dá uma vaga noção de como tudo funciona, encontra-se nos presídios. Há detentos que são, forçosamente, levados para as penitenciárias de segurança máxima, outros são alojados em prisões comuns; outros, ainda, em celas especiais, pois a espécie humana desavisada, religiosa e espiritualmente falando, incluindo aqueles que foram bem formados, intelectualmente, mas que não têm religiosidade alguma, ou melhor, que dizem pertencer a essa ou àquela religião, apenas, para não fugir à regra, estão sujeitos a toda espécie de crime. Assim, ocorre no mundo dos Espíritos. Há aqueles que são, rigorosamente, detidos em suas ações, “por um determinado espaço de tempo”, por ordem superior, e há aqueles que vagueiam por toda parte a influenciar e, até mesmo, prejudicar os pacíficos, dependendo se encontram espaço e/ou sintonia para que ocorra, respectivamente, uma vingança inesperada ou uma influenciação psicológica para o erro e para o mundo do crime. Tudo, por conta da falta de vigilância, ou melhor, tudo por força do descaso ao “Orai e Vigiai”: Orar a Deus com o coração, com fé raciocinada, e vigiar os próprios atos. Temos que conviver entre o bem e o mal, não só para distinguirmos a diferença entre um e outro, mas, também, para aprendermos a reprimir as más tendências que, porventura, ainda, trazemos na essência.
    Nas regiões mais próximas da Terra, encontramos uma atmosfera bastante propícia para albergar Espíritos, ainda, muito atrasados, pois, em esferas mais elevadas, onde a atmosfera é diminuída na sua densidade, esses Espíritos não podem adentrar. Somente os bons, por mérito próprio, têm direito a desfrutar de esferas melhores. Somente os puros, por mérito próprio, têm direito a ambientes sublimes. Essa é a lei!
    Espíritos que se tornaram perversos, muito embora tenham encarnado ou reencarnado acompanhados de um Espírito-guardião, destinado a orientá-los no caminho do bem, são atraídos para regiões, onde permanecem outros irmãos que, com eles, afinizam-se, identificam-se; é a Lei da Atração recíproca. Não se trata, no entanto, de uma única região específica, o famoso “inferno”, que algumas religiões propagam, pois, até nessas circunstâncias, há pesos e medidas na formação natural desses grupos infratores. Nos Estatutos Divinos não há lugar para injustiças e Jesus, nosso Mestre Maior, não nos perde de vista, pois, disse Ele: Das ovelhas que o Pai me confiou, nenhuma se perderá.
    A Doutrina Espírita nos orienta quanto aos Postos de Socorro, próximos, ainda, do nosso Planeta, onde Espíritos, em serviço redentor, trabalham, incansavelmente, em benefício daqueles que, “de passagem”, ali se encontram. Geralmente, dão asilo aos que já estão “prontos”, isto é, preparados para serem resgatados das zonas inferiores, pois nenhum deles permanece, nelas, eternamente, conforme outras religiões ensinam aos seus respectivos adeptos. Faço, neste instante, um adendo, para enfatizar o seguinte: O “inferno” se instala dentro de nós mesmos, e não fora de nós. É o peso da consciência em débito que não nos dá paz de espírito. Onde quer que um Espírito endividado esteja esse “inferno” o acompanhará, até que se renda à humildade sincera e procure o bem.
    No caso André  Luiz, por exemplo, devemos entender o seguinte: Ele partiu para o mundo espiritual, totalmente, despreparado, ignorando o processo do desencarne. A grande viagem lhe pareceu uma coisa muito estranha; o medo fez com que perdesse toda a noção de rumo; a consciência o atormentava; ele mesmo nos revela que nunca procurara as letras sagradas com a luz do coração; identificava-as através da crítica de escritores menos afeitos ao sentimento e à consciência, ou em pleno desacordo com as verdades essenciais; compartilhara os vícios da mocidade do seu tempo; na existência terrestre, a filosofia do imediatismo o absorvera por completo; algo lhe fazia experimentar a noção de tempo perdido, com a silenciosa acusação da consciência; tivera esposa e filhos que prendia, ferozmente, nas teias rijas do egoísmo destruidor, disse ele; mas deixou um alerta para nós todos: Oh! Amigos da Terra! Acendei vossas luzes antes de atravessar a grande sombra. Ele atravessou as regiões densas, ouvindo gargalhadas sarcásticas; via vultos negros que desapareciam nas sombras.
    Porém, um detalhe importante: ele não ficou prisioneiro dos malfeitores, mas da própria consciência; todos os quadros de estarrecer que se passaram ao seu redor serviram-lhe para impor, a si mesmo, uma atitude renovadora. Todos eles ocorreram, sem que percebesse a presença de Espíritos benfeitores que o amparavam, até que, sentindo-se, absolutamente, sem forças para se reerguer, pediu ao Supremo Autor da Natureza lhe estendesse mãos paternais, em tão amargurosa emergência. Ah! Foi preciso sofrer muito para entender todas as belezas da oração. Rendeu-se à humildade; foi quando um velhinho simpático lhe sorriu, paternalmente, e falou: - Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara. Era o irmão Clarêncio, que vinha acompanhado de mais dois irmãos a escoltá-lo até o núcleo Nosso Lar.
    Como vê,  meu irmão, a nenhum de nós é concedido privilégio na passagem desta para outra vida. Todos nós temos que passar pelas regiões umbralinas, queira ou não queira, pois a natureza não dá saltos. Para alcançarmos esferas melhores e merecidas, forçosamente, temos que passar por lá, não necessariamente porque mereçamos, mas, porque essas regiões fazem parte do trajeto a ser transposto. Porém, com uma ressalva importantíssima: quem bem se prepara para o mundo espiritual, e leva a consciência tranqüila, não se detém em regiões como aquela que André Luiz experimentou, por lhe ser necessária aquela experiência, pois os mentores espirituais, quando merecemos, nos acolhem, prontamente, durante a p
    assagem, impedindo a ação dos vampiros do além túmulo, conduzindo-nos, escoltados, ao nosso abrigo devido.
    Encontramos, em outras religiões, indiscutivelmente, pessoas, também, em condições de serem bem amparadas no momento do desencarne, mas somente a Doutrina Espírita nos dá, “antecipadamente”, as instruções necessárias para entendermos melhor todo esse processo, além de interpretar as Leis da Natureza, sem qualquer idéia de “mistério” de Deus.
    Fique em Paz, meu irmão!
    Fraternalmente,
    Jorge Hessen