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  • 18 de out de 2010

    FREUD , ITERNET , PORNOGRAFIA E AUTO-EROTISMO


    Boa noite.
    Eu li o artigo Nao Existe Desobsessao sem Base de Renovacao Moral e fiquei bastante tocando, pois luto ha anos para livrar-me dos sites pornos. É com bastante vergonha, mas com bastante simplicidade que reconheco minha impotencia frente aos sites. Dia 01/10 faço 36 anos, sou solteiro, enfermeiro e por me encontrar desempregado estou fazendo um curso de cabeleireiro, pois quero sair do Brasil. Quando estou em casa durante o dia ou a noite depois do curso de cabeleireiro entro na internet para ver meus emails ou orkut e quando percebo ja estou navegando pelos sites pornos. Apos ve-los e ate mesmo me masturbar, bate um arrependimento e um sentimento de fracasso muito grande, mas é algo que nao consigo vencer sozinho. Resolvi escrever esse depoimento como uma forma de desabafo e de pedido de ajuda. Nao quero viver assim.
    Muito obrigado,
    A.........


    Prezado irmão  A........
    Sua angústia em torno das diretrizes comportamentais na área sexual é compreensível em nosso estágio de humanidade. Por isso , enviamos alguns argumentos sobre o tema, a fim de que possamos com a Doutrina espírita aprender um pouco mais.
    O Espiritismo explica baseado no livre-arbítrio, no percurso de vidas anteriores e na evolução moral de cada um como estes assuntos devem ser tratados. Lembrando sempre que “cada caso é um caso e muito particular”. Não se pode desconsiderar também que uma consulta com um médico de família, um psicólogo não seria de excluir.
    Para Freud  a masturbação é envolvida em muito preconceito, graças ao dogmatismo religioso que estigmatiza a sexualidade. Porém,  a consciência nos sussurra obviamente que relação sexual presume dois parceiros. O auto-erotismo não deixa de ser uma busca de “prazer” egoísta, por isso mesmo, toda prudência é imprescindível. Na área sexual, urge vigília constante, pois, na maioria das vezes ao se masturbar, a criatura não está tão solitária como imagina. Espíritos das sombras viciados no sexo, muitas vezes, estimulam este vício solitário, prejudicando relacionamentos afetivos quando o se opta por masturbar-se, entretanto, mister considerar que cada caso é um caso, sem desconsiderar jamais que o equilíbrio e a disciplina mental precisam ser alcançados.
    O Espírito Emmanuel, no livro "O Consolador", questão 184, psicografado por Chico Xavier , orienta-nos que, “ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo”.
    O uso indevido de qualquer função sexual produz distúrbios, desajustes, carências, que somente a educação do hábito consegue harmonizar. Afinal, o homem não é apenas um feixe de sensações, mas, também, de emoções, que pode e deve canalizar para objetivos que o promovam, nos quais centralize os seus interesses, motivando-o a esforços que serão compensados pelos resultados benéficos.
    A vida saudável na esfera do sexo decorre da disciplina, da canalização correta das energias, da ação física, pelo trabalho, pelos desportos, pelas conversações edificantes que proporcionam resistência contra os arrastamentos da sensuallidade, auxiliando o indivíduo na conduta.
    Muitas pessoas consideram o prazer apenas como sendo uma expressão da lascívia, e se esquecem daquele que decorre dos ideais conquistados, da beleza que se expande em toda parte e pode ser contemplada, das encantadoras alegrias do sentimento afetuoso, sem posse, sem exigência, sem o condicionamento carnal.
    Vai distante a época em que se decretava que a masturbação conduzia à loucura e ao inferno. Normal no adolescente que está descobrindo a sexualidade, freqüente nos corações solitários, o problema é que ela favorece a viciação, aguçando o psiquismo do indivíduo com sensualidade avivada. Por outro lado obsta a sublimação das energias sexuais quando as circunstâncias nos convocam à castidade, incitando-nos a canalizá-las para as realizações mais enobrecedoras. O que eqüivale dizer que há uma energia sexual que precisa ser eliminada, mas isso não precisa se dá através da prática sexual, ou seja, essa energia pode ser canalizada ou desviada para outras atividades, inclusive a prática da caridade.
    Será que devemos depreender que o Espiritismo proíbe toda a atividade sexual?! De modo algum. O Espiritismo nada proíbe. Deixa ao livre-arbítrio, à decisão consciente de cada um a atitude a tomar. Limita-se a dar orientação e a demonstrar que atitudes mal tomadas dão intranqüilidade e insatisfação e coloca-nos perante a realidade e vantagens do uso consciente da vida.
    A proposta espírita é a da compreensão amorosa e educativa do ser humano. Nem apedrejamento, nem conivência culposa; nem julgamento arbitrário, nem a omissão da indiferença. Só o amor desvelado por Jesus é suficientemente forte para controlar e direcionar o impulso sexual , na edificação da felicidade permanente.
    A Doutrina Espírita apresenta a sexualidade despida da conotação religiosa dogmática que consagrou o sexo pecaminoso, sujo, proibido e demoníaco. Todavia, também não legitima o enquadramento da sociedade atual que consubstanciou o sexo objeto de consumo, devasso, trivial. A proposta espiritista é da energia criadora que necessita estar sedimentada pela lógica e pelo sentimento, pelo respeito e entendimento, pela fidelidade e amor, a fim de propiciar a excelsitude e a paz. Como se diz: “Um sexo para a vida e não uma vida para o sexo!”
    Para Emmanuel no livro Vida e Sexo, ante as proposições a respeito do sexo é justo sintetizar-se todas as digressões possíveis nas seguintes normas: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.
    Ninguém se burila de um dia para outro. Conversões religiosas exteriores não alteram, de improviso, os impulsos do coração. Achamo-nos todos muito longe da meta por alcançar no projeto de acrisolamento sexual. A rigor, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda no futuro. Não há como penetrarmos nas consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, no que tange ao amor, reclamando compreensão. Em face disso, muitos de nossos erros imaginários na terra são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!...
    A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das potencialidades criativas de que se reveste. À medida que a individualidade evolui, passa a compreender que a energia sexual envolve o impositivo de discernimento e responsabilidade em sua aplicação, e que, por isso mesmo, deve estar controlada por valores morais que lhe garantam o emprego digno, seja na criação de formas físicas, asseguradora da família, ou na criação de obras beneméritas da sensibilidade e da cultura para a reprodução e extensão do progresso e da experiência, da beleza e do amor, na evolução e burilamento da vida no Planeta.
    Nas ligações afetivas terrenas, por exemplo,  encontramos as grandes alegrias; no entanto, é também dentro delas que somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações. Embora não percebamos de imediato, recebemos, quase sempre, no companheiro ou na companheira da vida íntima, os reflexos de nós próprios.
    Urge considerar que a Vontade de Deus, na essência, é o dever em sua mais alta expressão traçado para cada um de nós, no tempo chamado "hoje". E se o "hoje" jaz viçado de complicações e problemas, a repontarem do "ontem", depende de nós a harmonia ou o desequilíbrio do "amanhã". Destarte, o instinto sexual, exprimindo amor em expansão incessante, nasce nas profundezas da vida, orientando os processos da evolução.
    Importa considerar que diante do sexo, não nos achamos, de nenhum modo, à frente de um despenhadeiro para as trevas, mas perante a fonte viva das energias em que a Sabedoria do Universo situou o laboratório das formas físicas e a usina dos estímulos espirituais mais intensos para a execução das tarefas que esposamos, em regime de colaboração mútua, visando ao rendimento do progresso e do aperfeiçoamento entre os homens.
    Cada homem e cada mulher que ainda não se angelizou ou que não se encontre em processo de bloqueio das possibilidades criativas, no corpo ou na alma, traz, evidentemente, maior ou menor percentagem de anseios sexuais, a se expressarem por sede de apoio afetivo, e é claramente, nas lavras da experiência, errando e acertando e tornando a errar para acertar com mais segurança, que cada um de nós - os filhos de Deus em evolução na Terra - conseguirá sublimar os sentimentos que nos são próprios, de modo a erguer-nos em definitivo para a conquista da felicidade celeste e do Amor Universal.
    Procure cultivar o hábito da oração e manter-se em vigilância, no  pensamento, no falar e no agir Outrossim, assistindo às palestras da Casa  Espírita, prestando a devida atenção, sempre encontraremos respostas para as  nossas dúvidas, por meio dos ensinamentos dos oradores e a assistência  inspiradora dos nossos mentores e protetores espirituais, com certeza. A  Casa Espírita proporciona o benefício do passe, o qual constitui-se duma  transfusão de energias, que nos revigoram e reanimam. Igualmente, a participação em atividades de caridade, de ajuda  ao próximo, proporciona a higiene mental necessária à nossa renovação. 
    Saudações,

    Jorge Hessen