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  • 12 de out de 2010

    SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE



    Olá!

    Li um de seus artigos em um fórum espírita e não pude deixar de escrever. No artigo em questão você fala sobre a visão da doutrina espírita sobre a homossexualidade. Veja bem, eu estou começando meus estudos agora, sou jovem e não tenho familiares ou amigos espíritas, então tenho poucos conhecimentos. Sempre acreditei em ser uma pessoa boa e que Deus é amoroso e essencialmente bom. Eu sou homossexual e vivo com a minha companheira, que amo muito e com quem formei um lar, há 5 anos. Passamos por períodos difíceis juntas como doenças, apertos financeiros, dificuldades da própria relação, etc. Nossas famílias são maravilhosas e nos relacionamos bem com nossos familiares. Somos as duas pessoas que estão se esforçando para ser justas, para fazer o bem e ser humildes. Nosso sentimento em relação uma à outra nos fez crescer mutuamente e é um laço pelo qual serei eternamente grata. Sou uma pessoa extremamente feliz porque tenho minha companheira. Para mim é difícil ver como muitas pessoas pensam a homossexualidade na doutrina espírita, dizendo muitas vezes que ela é uma expiação com a qual se deve lidar resistindo ao impulso de se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo. Ou seja: ser homossexual não é condenável mas relacionar-se prejudicaria a evolução. Se há uma coisa que me ajudou a amadurecer e a ser uma pessoa melhor foi justamente o amor que tenho experimentado e a superação de dificuldades pessoais em função do amor que eu sinto. O que me atrai na minha companheira não é lascivo, promíscuo ou carnal. O que me faz estar junto dela e escolhê-la todos os dias é a pessoa que ela é, o que pensa, seus valores, seu modo de ver a vida e de vivê-la, seus sonhos, seus planos, tudo que constrímos juntas. Temos enfrentado preconceito, é claro, e isso dói e nos faz crescer ainda mais. Penso que, talvez nesse sentido, a homossexualidade possa ser um tipo de expiação mas acredito que a aceitação da homossexualidade caminha pari passu com a evolução da humanidade que, aos poucos, está deixando de valorizar o que está estabelecido como normal e tradicional para aceitar o amor, independentemente das roupagens com que se caracteriza. Espero sinceramente poder encontrar algum eco para os meus sentimentos em outras pessoas. Sou mulher e me identifico como mulher, assim como minha companheira. Somos as duas mulheres e nos gostamos como mulheres. Não nos sentimos desconfortáveis em ser mulheres, por isso não conseguimos compreender a noção de invertido que muitas vezes lemos em artigos e comentários sobre a homossexualidade. Penso que talvez isso se aplique à transexualidade, que é justamente ligada à identidade de gênero e não à orientação sexual. Sentir-se de um sexo e gostar de uma pessoa do mesmo sexo é completamente diferente de sentir-se de outro sexo.
    Me desculpe pela franqueza e por ser tão direta, é que eu precisava desabafar, falar sobre isso. Posso estar me expondo muito ao escrever um e-mail nesses termos, mas acredito que era preciso que eu escrevesse. Estou num momento inicial nos meus estudos e tenho tentado mudar e me tornar uma pessoa melhor mas ainda tenho pouco, bem pouco conhecimento. Se você puder de alguma forma me dar um conselho ou me indicar algumas leituras ficarei extremamente agradecida.

    Muito obrigada pela atenção, de coração.

    Tudo de bom para você e para os seus,

    M.....P. 

    Estimada M..........
     Li seu depoimento com muito interesse.O resgate, a expiação está exatamente de acordo como lidamos com as circunstâncias Onde colocar o seu tesouro, ali estará o seu coração.Concorda comigo?. Para a maioria que vive a homossexualidade é sentida com um imenso sofrimento :pela rejeição da família. por não suportar as irônias, pelo preconceito em que nossa sociedade
    hipócrita vê  essa ligação etcFeliz de você que não convive com essas coisas e que mesmo vivenciando é capaz de superar em nome do amor que desfrutam juntas. O amor é a mola propulsora do progresso. Se  analisarmos que quando amamos somo pessoas projetando luz na sociedade , não estou restringindo ao amor-paixão, carnal mas ao amor que nos alimenta a alma no dia a dia , que nos embeleza a vida, que nos deixa encantando com tudo que nos cerca: o sorriso de nossos filhos, a alegria das crianças sem nos esquecer do carinho que temos o dever de estender aos que estão esquecidos da sociedade como os mendingos, velhos etc.Creio que você assimilou muito bemo que eu quis traduzir no artigo. Abordo  o conflito porque muitos vivem dilacerados pela dor, exatamente, porque enfrentam barreiras que não estão preparados. Aqui no DF um deputado elegeu-se com a bandeira em nome de Deus para combater o homossexualismo. Isso cheira atrocidade moral. O Espiritismo como o Consolador prometido por Jesus não poderia trazer uma mensagem de exceção. Veja o que escrevi:
    A Doutrina Espírita é libertadora por excelência. Ela não tem o caráter tacanho de impor seus postulados às criaturas, tornando-as infelizes e deprimidas. A energia sexual pede equilíbrio no uso e não abuso ou repressão. A Doutrina Espírita não condena a homossexualidade, contrariamente, recomenda-nos o respeito e fraterna compreensão para com os que têm preferências homoafetivas. Muitas vezes, pode até ser alguém tangido pelo apelo permissivo que explode das águas tóxicas do exacerbado erotismo, somado aos diversos incentivadores pseudocientíficos da depravação, que podem estar desestruturando seu sincero projeto de edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada. Por isso mesmo, não pode ser discriminado, nem rejeitado, pois, como admoesta Jesus, "aquele dentre vós que não tiver pecados, que atire a primeira pedra" .Minha irmã , muita paz e que vocês possam construir tudo que é belo e bom na vida em favor do próximo
    abs
    Jorge Hessen