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  • 13 de mar de 2011

    PALAVRAS DE MINHA ESPOSA PARA UM ARTICULISTA ESPÍRITA


    Prezado M.......
     
    Li sobre seu artigo abordando o indivíduo com deficiência mental nas aulas de evangelização da casa espírita e sou mãe de uma jovem nessas condições. Nunca deixamos de viver nossos compromissos espíritas em função do quadro de nossa primogênita. Participava com suas extremas limitações das aulas e outras atividades. 

    O tempo passou e tornei-me professora da área, sou graduada em ensino especial com ênfase em deficiência mental. Por compromissos profissionais acabei atuando por 14 anos  com alunos autistas. Mas uma vez fui questionada pelo coordenador da evangelização o que fazer com um jovem deficiente durante as aulas, porque o mesmo trazia transtornos para o grupo com falas infantis que não tinham nada a ver com os estudos realizados e isso tumultuava o ambiente porque trabalhar com adolescentes já era um desafio, as falas inoportunas durante a dinâmica que o restante da turma achavam graça dispersava a turma toda.Nunca mais procurei saber qual decisão que tomaram, mas lendo seu artigo, fiz algumas reflexões. O ambiente em que minha filha  quando era pequena, frequentava  era de pobreza. 

    Um centro na periferia  em que Jorge era um dos fundadores e na década de 80 havia muita necessidades, o centro em que fui questionada recebe outro público de classe média. Outro dia fui para o centro em que fundamos, da periferia de Brasília, hoje não tão carente assim mas vi um jovenzinho balançando mão, estereotipias de autistas, vi sua irmã corrigindo-o,  obedeceu, sorriu e ficou quieto.  A meninada num alvoroço tamanho e ele lá desfrutando da interação social. Será que as pessoas simples são mais predispostas a aceitarem  as minorias ou têm mais amor?
    Quanto ao aspecto abordado pelo seu artigo sobre os professores nesses 15 anos de atuação já vi um pouco de tudo, principalmente que não é necessário fazer muita coisa, apenas uma doação sabe, missionários remunerados. Sinto que esse olhar está mudando gradualmente com cursos de capacitação e uma lenta cobrança por parte da Secretaria de Educação, falo da realidade em Brasília, em que o governo assume essa modalidade de ensino. A inclusão continua sendo uma miragem sem quase nenhuma estrutura deixando professores a beira de um colapso nervoso. Você poderia indagar se sou contra, de maneira alguma porque fiz da minha maneira a inclusão de minha filha na sociedade ainda que traga alguns momentos de estresse como ir para uma praia e não querer andar de sandálias em areia escaldante, gritar no avião, em restaurante e o que comento ao Jorge não podemos deixá-la dar um tapaço em alguém, isso seria ser inconveniente, mas o resto é pura diversão principalmente porque temos uma temporona de 6 anos que ninguém acredita ser nossa filha e brinca demais com a irmã mais velha.

    Trazer esses temas á luz espírita é muito enriquecedor, porque se os deficientes em todos os aspectos, na sua grande maioria são suicidas reencarnados, não podem e não devem deixar de receber todo amor do mundo e todas as oportunidades de aprendizagens, e que sejam aprendizagens significativas que possam reescrever suas histórias com estímulos, apoios. Todos nós somos devedores diante da vida. 
    Abraços

    Eleusa Hessen