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  • 6 de set de 2011

    MATERIALISMOS


    Caro confrade,

    Jorge Hessen

    Li dois dos seus artigos, que nos foram enviados pelo amigo comum jjjjl, achando-os excelentes. Parabéns.

    Permita-nos, caro confrde, fazer-lhe duas consultas:
    1) Quais as diferenças entre
    MATERIALISMO DIALÉTICO,
    MATERIALISMO  HISTÓRICO e
    MATERIALISMO MECANICISTA?

    2) Em face da alegada teoria dos Anjos Caidos, do evolucionismo do macaco ao homem, como isso se deu, como o principio inteligente habitou o homem primitivo e razões pelas quais o procedimento não mais se repete, em relaçao aos macacos? 
    Parece tolice, mas em razão do filme em cartaz, Planeta dos Macacos, alguém nos indagou.

    Grato, com admiração e amizada fraterna,
    GGG

     Prezado GGG
    Tanto o materialismo histórico quanto o dialético podem ser resumidos em Marx. Na época de Kardec, houve a consolidação  da burguesia (graças a Ver, Francesa), e após a implantação do chamado capitalismo industrial, surge novo modelo de sociedade, que desde o seu surgimento já é criticada pelas suas contradições internas e principalmente pelas desigualdades sociais que traz consigo. .
    Os filósofos Marx e Engels propuseram novo entendimento filosófico da realidade , é o “materialismo histórico e dialético”, ou seja, um método de explicação da sociedade, aplicado à história humana.
    Explicam que as relações sociais são interligadas às forças produtivas. Afirmam que o modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época.
    Destarte, a base material ou econômica constitui a "infraestrutura" da sociedade, que exerce influência direta na "super-estrutura", ou seja, nas instituições jurídicas, políticas (as leis, o Estado) e ideológicas (as artes, a religião, a moral) da época.
    Filosoficamente a dialética em si, não é só pensamento (consciência): é pensamento e realidade a um só tempo. Portanto, a dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente idênticas. A dinâmica  HIPÓTESE + DESENVOLVIMENTO + TESE + ANTITESE+ DIALÉTICA = SÍNTESE, expressa a contundência deste ensinamento, afirmando que tudo é fruto da luta de idéias e forças, que na sua oposição geram a realidade concreta, que uma vez sendo síntese da disputa, torna-se novamente tese, que já carrega consigo o seu oposto, a sua antítese, que numa nova luta de um ciclo infinito gerará o novo, a nova síntese.
    A hipótese fundamental da dialética é de que não existe nada eterno, fixo, pois tudo está em perpétua transformação, tudo está sujeito ao contexto histórico do dinâmico e da transformação.

    Principalmente Marx utilizou o método dialético para explicar as mudanças importantes ocorridas na história da humanidade através dos tempos. Ao estudar determinado fato histórico, ele procurava seus elementos contraditórios, buscando encontrar aquele elemento responsável pela sua transformação num novo fato, dando continuidade ao processo histórico. Marx desenvolveu uma concepção materialista da História, afirmando que o modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época.
    A realidade não é estática, mas dialética e está em transformação pelas suas contradições internas. Assim, a base material ou econômica constitui a "infra-estrutura" da sociedade, que exerce influência direta na "superestrutura", ou seja, nas instituições jurídicas, políticas (as leis, o Estado) e ideológicas (as artes, a religião, a moral) da época. No processo histórico, essas contradições são geradas pelas lutas entre as diferentes classes sociais. Marx inverte o processo do senso comum, que explica a história pela ação dos "Grandes vultos", ou às vezes, até pela intervenção divina, ou seja, para Marx não se deve apelar para divindades, tem-se que correr atrás, trabalhar.
    Para os seguidores de Marx, no lugar da ideias estão os fatos materiais, no lugar do grandes heróis, a luta de classes. Assim, a sociedade estrutura-se em níveis: PRIMEIRO NÍVEL: infraestrutura, constitui a base fundamental da economia, e é determinante, segundo à concepção materialista. Relação do proprietário e não-proprietário, e entre o não-proprietário e os meios e objetos do trabalho. SEGUNDO NÍVEL: político-ideológica, é chamada de superestrutura. É constituído: pela estrutura jurídico-política, representada pelo Estado e pelo direito.  E segundo pela  estrutura ideológica, referente às formas de consciência social, tais como a religião, a educação, a filosofia, a ciência, a arte, as leis, etc.
    Como se vê o debate materialista se fundamenta na premissa de que : “não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência." O propósito de uma história pautada no materialismo aparece como uma oposição ao idealismo. A realidade dos povos, segundo Marx, não pode ser explanada a partir de um parâmetro que entenda as ideias como um fator que figurem em primeiro plano, uma vez que estas somente encontram o seu valor enquanto fornecedoras dos alicerces que sustentam a imensa estrutura econômica, que nada mais é do que o próprio mundo material, o mundo real.
    As ideias seriam, então, o reflexo da imagem construída pela classe social dominante. O poder que ela exerce sobre as pessoas está diretamente relacionado com a edificação ideológica que esta “elite” constrói dentro das mentes de seus dominados, fornecendo sua visão de mundo. É dessa forma que a ideologia permeia a consciência de todos, transformando-os em objetos de uso e de exploração. 
    Exemplo: no final da Idade Média, quando houve o desenvolvimento do comércio, as relações servis começaram a desempenhar um papel de entrave ao desenvolvimento das forças produtivas, provocando assim uma implosão dentro do sistema e originando outro novo: o capitalismo. Compreende-se, então, que o capitalismo nasceu a partir das contradições do sistema feudal, e que a burguesia (classe dirigente), ao criar a sua oposição, o operariado, engendrou também o seu futuro extermínio, cavando a sua própria cova.

    Sobre o materialismo mecanicista temos que recorrrer às  leis da mecânica de Isaac Newton que eram consideradas leis universais da natureza e também, princípios fundamentais do ser que condicionam todas as demais leis da natureza e da sociedade. Estas leis constituíam a base do materialismo vigente a sua época – o materialismo mecanicista, que precedeu ao materialismo dialético de Marx e Engels.
    Os grandes progressos científicos operados nas Ciências Naturais (Teoria da Evolução, de Charles Darwin), na segunda metade do século XIX (1859) e os descobrimentos da Física e da Química, prolongaram-se por todo século XX. Neste período, com o desenvolvimento da teoria do campo magnético, o descobrimento da radioatividade e da estrutura complexa dos átomos e tantos outros, as bases da visão mecanicista do mundo, se viram minadas. Pois que, enquanto não se encontrava uma explicação ampla para o fenômeno da radioatividade, usada como uma prova de que a Matéria “desaparece”, a lei da conservação das massas, estabelecida por Lavoisier, parecia ter caído por terra.
     Apesar destes novos descobrimentos, os defensores do materialismo dialético continuaram afirmando que a destrutibilidade do átomo, sua inesgotabilidade, a mutabilidade de todas as formas da Matéria e de seu movimento foram sempre o pilar do materialismo dialético. Surgiram, então, muitas correntes de filosofia materialista, com as mais variadas concepções, todas elas, porém, valendo-se exclusivamente das percepções de nossos sentidos físicos e dos instrumentos criados pelo próprio homem.
    Os materialistas tentam explicar o mundo que nos rodeia por meio da atividade de um órgão material, o cérebro humano, afirmando que até mesmo as idéias e os conceitos mais abstratos são produzidos pela atividade cerebral. Esta corrente de pensamento pretende nos passar a idéia de que o mundo que nos rodeia, não é nada mais que uma forma concreta da Matéria, um determinado estado ou propriedade dela, um produto de sua mutação constante e regular.
    Os seguidores dessa corrente chegam a afirmar que a Matéria é a única base universal de tudo que existe, de todos os objetos e fenômenos da realidade e expressa a essência mais geral do mundo. Pensam assim e baseiam suas justificativas, na realidade observada no desenvolvimento da Ciência ao longo da História do Homem, principalmente no aproveitamento tecnológico do último século.
     
    2. sobre a segunda questão escrevi um texto que poderá dar algumas dicas a você. Acesse o link. http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2010/08/espirito-e-materia-ante-lei-de-evolucao.html 
    Abraços
    Jorge Hessen