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  • 22 de jul. de 2012

    AMPARAR OS DESERDADOS, UMA TAREFA INADIÁVEL

    Prezado amigo
    Longe de mim querer lhe ensinar algo, mas creio que acerca da frase "a proposta doutrinária dos evangélicos tornou-se a única via disponível de alívio e conforto da vida dura" eu pessoalmente não a descreveria como única, senão não haveria católicos, espíritas, umbandistas, etc., entre aqueles de “vida dura”.
    Creio que podemos dizer que a proposta doutrinária dos evangélicos é a que talvez, no presente momento, melhor se adéqua aos anseios e a condição cultural de uma porção considerável daqueles que se encontram nas camadas sociais menos favorecidas. Digo condição cultural por acreditar que para a aceitação de qualquer doutrina filosófica e/ou religiosa o contexto cultural no qual o individuo foi criado e vive tem influência considerável. Como dizem: “Há muitos “Brasis” dentro do Brasil”.
    Interessante o amigo se referir a favelas, pois tenho uma experiência pessoal que gostaria de partilhar com você. Por uns dois anos participei de um “posto assistencial” de uma casa espírita situado dentro de uma favela. Neste posto se oferecia, aos domingos, evangelização infantil e sopa para as famílias. Na época de natal cada criança era presenteada com roupa, sapato e um brinquedo. Outros mimos eram doados em datas festivas como páscoa, dia das crianças, etc. Logo percebi que a maioria das mães levavam as crianças pequenas à evangelização, e as próprias crianças mais velhas participavam voluntariamente, apenas para receber tais presentes, pois segundo as regras quem não tivesse alguma regularidade na frequência não os recebia. Na época do natal e festas a frequência subia assustadoramente. As crianças muito pouca atenção davam a exposição evangélica, em grande parte devido à pouca educação quanto ao comportamento. Todavia, o que mais me intrigava era que os pais destas crianças jamais frequentavam a casa, ou se interessavam em participar de qualquer atividade juntamente com os voluntários (limpeza, cozinha, ajuda com as crianças, etc.), ou mesmo procuravam se inteirar do que era ensinado aos seus filhos !! Apenas os deixavam no portão e partiam. Acredito que grande parte do problema provavelmente era decorrente do modo como o local era gerenciamento e os trabalhos conduzidos.
    Obviamente não quero dizer com isto que não devemos nos  esforçar para que o Espiritismo chegue até os menos favorecidos, material e intelectualmente , mas sim que a tarefa não é simples. Não convivi com Chico Xavier, mas creio que ele - bem como outros luminares da doutrina - sempre esteve junto aos menos favorecidos, mas nem por isso o Espiritismo se difundiu predominantemente entre eles.
    Um abraço fraterno
    EEEE

    Caro Irmão EEE
    A opinião  que arrisco passar  no meu artigo não é a catequização doutrinária dos pobres, entretanto  evangelização  pela aproximação espontanea de cada qual,  pelo serviço social,  que acredito ser elemento propulsor de  transformação social. Creio que urge promovermos o ser para sua cidadania, dando-lhe apoio moral,  material,  calor humano e obviamente amor.
    Há dezenas de  anos  laboro na periferia de Brasília, mormente numa casa espírita que fundei juntamente com amigos. O Posto de Assistência Espírita, hoje uma escola abençoada do espírito, onde muitas daquelas crianças que foram evangelizadas pacientemente nas décadas de 70, 80 e 90  são (quase todas elas) cidadãos  atualmente bem integrados na sociedade, alguns são funcionários públicos, outros são professores, e policiais etc... Isso nos abona a colossal esperança de que os princípios  evangélicos , via Espiritismo, sem imposições e  aliciamentos doutrinários , porém com obras fincadas nas tarefas da caridade ou se desejar avocar o termo “assistencial” dão resultados fatais.
    Em verdade quando buscamos os esfaimados, os sedentos, os desprovidos de roupas, os sem moradias, os doentes e os encarcerados permanecemos numa avenida de princípio universal sobre o amor ao próximo, sem dogmas, mas inspirados pelo  Crucificado, Ele que  demostrou-nos a saga do Bom Samaritano ante a indiferença dos ortodoxos do templo de Jerusalém.  Assim,  esse ideal , em 40 anos tem surtido resultado e continua dando fruto saborosos no aspecto da socialização dos menos ditosos.
    Chico Xavier deixou um carreiro imenso de trabalho  genuinamente cristão  no Brasil e sobretudo no Triângulo mineiro e só para dar um exemplo convido-lhe a conhecer o  trabalho do  José Tadeu da cidade  Araxá/MG,  e de outros discípulos de Chico Xavier  em Sacramento,  Uberaba etc ...etc.....etc... ,
    Por oportuno aproveito para enviar-lhe dois links correspondente a uma das três instituições espíritas que fundamos  na década de 70 juntamente com alguns amigos..
    Estou um pouco  alquebrado com surgimentos de tantos popstar nas tribunas dos ceetros espíritas desses brasis, tão plural quão místicos. Basta! de shows do púlpito, até porque noutro lado da vida não vão nos indagar quantas apoteóticas  palestras fizemos e quantos auditórios nos aclamaram estrelas da tribuna,  contudo quantos famélicos proporcionamos pão, quantos sedentos oferecemos água, quandos maltrapilhos vestimos, quantos sem residências acolhemos, quantos doentes visitamos e quantos encarcerados fomos assistir....No contexto temos sido bodes ou ovelhas? ou será que somos lobos  adornados de cordeiros?
    Não há outro código de elevação senão o EXCLUSIVO caminho da paz: A CARIDADE, sem a qual não há SALVAÇÃO.
    Abraços
    Jorge Hessen